Michael Jackson, M2000 e o guarda-chuva que entrou para a história!
Nos anos 90, o tênis M2000 era sinônimo de estilo, status e desejo entre os jovens brasileiros. Robusto, com traços futuristas e solado imponente, ele era considerado “o tênis do momento”. O que ninguém poderia imaginar é que o maior astro pop do planeta, Michael Jackson, acabaria se conectando à marca de uma forma totalmente inesperada — e sem contrato algum.
Isso aconteceu em 1993, quando durante a turnê Dangerous, Michael Jackson desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) cercado por forte esquema de segurança e milhares de fãs que o aguardavam sob um sol de mais de 30 graus. Antes de deixar o avião, porém, o cantor fez um pedido simples, previsto em seu rider técnico: um guarda-sol para protegê-lo.
E foi aí que nasceu uma das histórias mais inusitadas dos bastidores da música no Brasil.
O improviso que virou propaganda
Na operação de recepção do astro estava Denise Godinho, que coordenava a logística do desembarque. Quando percebeu que a demora de MJ em descer do avião era justamente pela ausência de um guarda-sol, comentou a situação com Marcelo Cunha, dono da empresa responsável pelo transporte do cantor e que dirigiu pessoalmente para ele durante toda a estadia.
Marcelo então se lembrou de um detalhe: meses antes havia prestado serviço em um evento da marca M2000 e, por acaso, tinha guardado no carro um guarda-sol usado na ocasião.
A princípio, a equipe de Michael recusou a ideia, receosa de associar a imagem do astro a uma marca sem autorização. Mas o tempo corria, e não havia outra solução. Sem escolha, o guarda-sol verde fluorescente da M2000 foi usado.
Michael Jackson, então, desceu as escadas do avião protegido por ele. Bastaram alguns minutos sob aquele guarda-sol para eternizar a improvável conexão entre a marca brasileira e o Rei do Pop. No dia seguinte, jornais do mundo inteiro estamparam a cena — publicidade gratuita que nenhum contrato milionário poderia comprar.



O detalhe nos bastidores
Com o passar dos anos, surgiram diferentes versões sobre como aquele guarda-sol foi parar nas mãos da equipe de Michael.
No livro Os Bastidores do Show Business, de Dody Sirena (da DC Set, produtora oficial do evento), a solução foi atribuída à própria Denise, que — segundo o autor — teria levado um guarda-chuva no carro “por garantia”, recebido de um possível patrocinador de um festival de verão que estava para acontecer. Seria esse o M2000 Summer Concerts?
Esse fato ganha ainda mais sentido quando lembramos que, em 1992, a M2000 foi patrocinadora de grandes shows internacionais no Brasil.
A marca aparece com destaque na divulgação e nos comerciais do show do Guns N’ Roses no Brasil, também esteve ligada ao show do Skid Row, no Gigantinho, e promoveu o festival itinerante M2000 Summer Concerts, organizado pela DC Set Group e patrocinado pela marca de tênis.
Ou seja: a M2000 já se posicionava fortemente junto ao público jovem, conectando esporte, música e atitude.
Porém, segundo relatos posteriores — inclusive do cover oficial Rodrigo Teaser, que entrevistou Marcelo Cunha — a providência teria vindo mesmo do motorista, graças ao improviso do guarda-sol guardado de um evento anterior.
Anos depois, Teaser chegou a segurar o mesmo guarda-sol usado pelo astro em 1993. O objeto hoje é visto como uma verdadeira relíquia pop, símbolo de como um improviso nos bastidores pode se transformar em memória coletiva.
A verdade finalmente confirmada
Durante nossa apuração, encontramos uma reportagem contemporânea que dá respaldo documental à história. Segundo matéria publicada pelo jornal O Globo, de 15 de outubro de 1993 — apenas dois dias após o desembarque do astro — o texto traz a confirmação que amarra todas as pontas: o guarda-sol utilizado pela equipe de Michael Jackson foi enviado pela própria M2000 à DC Set, organizadora dos shows no Brasil.
A reportagem ainda trouxe o depoimento do então diretor de marketing da marca, Rogério Santos, que confirmou: tudo foi fruto do acaso — mas o resultado foi um impacto publicitário gigantesco. Veja trecho abaixo.
— Não planejamos nada e nem imaginávamos que o mais importante ídolo da música pop mundial desembarcaria no Brasil sob um guarda-chuva com a marca M2000 — afirmou Rogério Santos, diretor de marketing da empresa.
A explicação de Santos para a divulgação inesperada da marca é a amizade que existe entre os diretores da M2000 e os promotores do evento, Dody Sirena e Cição, da DC SET. O guarda-chuva que protegeu Michael Jackson do sol foi cedido ao pessoal da DC SET em novembro do ano passado, durante a apresentação em São Paulo do grupo de rock Guns’n Roses, patrocinada pela M2000.
— Chovia muito e resolvemos enviar um lote de 15 guarda-chuvas para a equipe da DC SET, organizadora do evento, se proteger — disse Santos.
A M2000 já havia fornecido material promocional à DC Set desde o show do Guns N’ Roses, o que explica como os guarda-chuvas estavam ali — prontos para serem usados quando o astro precisou de um.
Mas é importante destacar o papel decisivo de Marcelo Cunha, que teve a presença de espírito de lembrar do guarda-chuva guardado no carro e oferecê-lo no momento certo.
Sem essa iniciativa, a história provavelmente jamais teria acontecido. Ou seja: o lendário guarda-chuva não surgiu por acaso — foi fruto da parceria entre M2000 e DC Set, somada ao improviso certeiro de Marcelo Cunha nos bastidores. O resultado? Uma das conexões mais improváveis (e valiosas) entre a moda esportiva brasileira e o maior ícone pop do planeta. Mais do que uma coincidência, o episódio mostra como o acaso — somado à intuição e à criatividade de quem está nos bastidores — pode transformar um simples detalhe em um registro eterno da cultura pop.
Do improviso à eternidade
Na despedida do Brasil, Michael voltou a aparecer sob um guarda-chuva, mas dessa vez o da Pepsi, patrocinadora oficial da turnê. Mas o impacto da primeira cena já havia ficado registrado: por alguns instantes, o tênis M2000 esteve lado a lado com o maior ídolo da música mundial.
Mais do que uma coincidência, esse episódio mostra a força dos anos 90 — uma época em que até um simples improviso podia se transformar em ícone e marcar para sempre o imaginário de uma geração.
📌 Fontes: Blog MJ Beats (a maior inspiração para esse post), livro Os Bastidores do Show Business (Dody Sirena), postagem de Rodrigo Teaser e matéria contemporânea do jornal O Globo (15/10/1993 — recorte encontrado na pesquisa).



